
Ator e cantor relembra infância no Vidigal, aprendizados no projeto e viagens com a turma para participar do Criança Esperança
“Eu sou fruto de oportunidades.” É assim que Thiago Martins define sua trajetória ao olhar para o início no Nós do Morro, projeto do Vidigal, no Rio de Janeiro, apoiado pelo Criança Esperança.
Antes de construir uma carreira como ator e cantor, ele encontrou no grupo um espaço para descobrir possibilidades que ainda não faziam parte de sua rotina.
“A minha vida era muito simples. Era escola, casa, casa, escola. Até porque o Vidigal passava por uma fase muito difícil, vivendo em uma área de risco. Era perigoso para a gente ficar na rua. E o Nós do Morro surgiu como uma válvula de escape para mim. Me apresentando à cultura, à educação, me apresentando novas pessoas”, conta.

Thiago Martins com o irmão Carlos André na infância e nos dias atuais — Foto: Reprodução/Instagram
O que começou como uma atividade em meio a esse cenário se tornou uma referência que Thiago leva até hoje. Na avaliação dele, a importância do projeto não pode ser medida apenas pelos trabalhos que vieram depois.
“Eu acho que, quando você conhece a cultura e a educação, a sua vida muda de ponta-cabeça. E foi o que aconteceu comigo. A minha vida mudou da água para o vinho".
Memórias em grupo

Thiago Martins — Foto: Brazil News
As participações no Criança Esperança estão entre as recordações que guarda dessa época. Muito antes de subir ao palco, os alunos já se envolviam na construção do espetáculo.
“O que vem à minha cabeça quando se fala de Nós do Morro e de Criança Esperança era a nossa trupe toda unida, os alunos todos na ansiedade de saber qual seria o assunto debatido, qual seria a proposta, qual seria o tema daquele ano.”
Para Thiago, essas lembranças também têm um lado que o público não acompanhava. Fora das apresentações, estar com os colegas tornava a experiência ainda mais especial.
“A gente ficava nessa ansiedade dos ensaios, da viagem para São Paulo, do Ibirapuera, da grandiosidade daquele evento. Era muito legal. E, sem contar que a nossa trupe, nosso grupo, viajava toda junta. Isso era maravilhoso. Era uma grande festa.”
De aluno a professor

/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_e84042ef78cb4708aeebdf1c68c6cbd6/internal_photos/bs/2019/Z/j/UoSpU5TVAS8BOmsMPlrQ/thiago-nos-do-morro.jpeg)
Thiago Martins posa com as crianças e jovens do projeto Nós do Morro — Foto: Divulgação
Ao falar de quem esteve ao seu lado no início, Thiago cita os idealizadores e os professores do Nós do Morro. Foi nesse ambiente que encontrou apoio para tratar o sonho como uma possibilidade concreta.
“Eu enxergava a arte e a cultura como uma grande oportunidade, e foi isso que eu fiz.”
Com o tempo, Thiago também passou a ensinar no projeto. A mudança de aluno para professor deu continuidade a uma troca que fazia parte da identidade do grupo.
“Eu sou fruto de oportunidades e que bom que eu tive essas oportunidades no Nós do Morro.”
Olhar para o futuro
Disciplina e resiliência estão entre os aprendizados que ele atribui ao Nós do Morro. Para os jovens que hoje iniciam suas próprias trajetórias em projetos sociais, seu conselho inclui também a responsabilidade com quem faz parte do caminho.
“Não desista dos seus sonhos e dos seus objetivos. Se alguém disser para você que é impossível, duvide dessa pessoa. Aproveite todas as oportunidades que a vida te dá. Cresça como cidadão. Seja um artista generoso. Divida a sua vitória e as suas derrotas também com quem te rodeia. E lembre-se, ninguém nessa vida faz nada sozinho. Boa sorte. Já deu certo.”, finalizou.
FONTE: GSHOW




